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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ofícios Curiosos - Bastidores 3: Papai Noéis

Por Aline Lima

O final do ano está chegando e, com ele, o Natal. Dentre os diversos símbolos tão característicos desse período, o Papai Noel ganha destaque, de modo que sua presença é praticamente obrigatória nos estabelecimentos comerciais. A experiência de se tornar um Papai Noel é algo realmente peculiar, afinal, como vivem os diversos Papai Noéis espalhados pela cidade? Como são escolhidos para exercer essa função? E quem realmente são? Diante de questões como essas, resolvemos pesquisar mais sobre esses profissionais.

Com a ideia de comparar o perfil dos Papai Noéis que trabalham em realidades diferentes na nossa cidade, decidimos entrevistar o Bom Velhinho de alguns shoppings. De repente, lembramos de um personagem tão presente em nossa vida acadêmica, mas que muitas vezes passou despercebido pelas pessoas: o Papai Noel verde (ou azul). Ele costumava pedir dinheiro no cruzamento da Av. da Universidade com a Av. 13 de Maio e tinha um grande diferencial com relação aos outros, trabalhava o ano inteiro.

Entrevistá-lo seria muito importante para nossa matéria, teríamos de fato um choque de realidade para mostrar. Fui com o Thiago Andrade pedir informações sobre o Papai Noel para os seguranças da Universidade e vendedores do local, mas ninguém sabia o paradeiro dele. O máximo que conseguimos foi a informação de que aproximadamente há um ano ele precisou fazer uma cirurgia e nunca mais foi visto. Devido à falta de informação e pouca estrutura para procurá-lo, tornou-se inviável mantê-lo como fonte (para nossa tristeza) e seguimos para o Shopping Benfica.

No Shopping, entrevistamos o Papai Noel durante uns 7 minutos e obtivemos informações importantes para nosso trabalho. No dia seguinte, fomos ao Shopping Ouro Verde onde conversamos com um dos Papai Noéis mais antigos da cidade! E, para entrar no espírito natalino, encerramos nossa entrevista ao som do coral que se apresentava no local.



Eventualmente, foi preciso interromper as entrevistas com a aproximação de crianças. O mais interessante nessas horas, foi observar os olhinhos delas brilhando diante do Bom Velhinho. Algumas mais receosas, outras mais confiantes, mas todas tinham a magia do Natal estampada nos rostinhos: sim era o Papai Noel que estava alí! Claro que não podíamos ficar de fora, então aproveitamos para tirar nossa foto com o Papai Noel (e ainda ganhamos pirulito). \o/

Pegando carona no trenó
Foto: Thiago Andrade

Thiago na casa do Papai Noel
Foto: Aline Lima

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ofícios Curiosos - Bastidores 2: Agente Funerário Tanatopraxista

Por Thiago Andrade

As profissões de coveiro e de médico são as que mais facilmente nos vêm à mente quando pensamos em profissionais que precisam lidar com a morte durante a jornada de trabalho. No entanto, existem profissionais que trabalham mais direta e especificamente com cadáveres. 

A que profissão, por exemplo, cabe o papel de deixar o corpo de uma pessoa morta “apresentável” para a realização do velório? Dentro do tema de profissões curiosas, escolhemos conhecer um pouco mais sobre essa função, que é uma especialização da figura do agente funerário.

Eu e Aline Lima visitamos antes de ontem a funerária Ethernus, localizada na Rua Padre Valdevino. Como a rua possui atualmente vários trechos interditados por obras, tivemos dificuldades de chegar até o endereço correto. De fato, um dos agentes funerários da empresa disse que muitos clientes têm tido a mesma dificuldade - fico pensando na chateação que deve ser não saber chegar ao velório de um ente querido.

Ao chegarmos, fomos encaminhados a uma sala de atendimentos. Então, conhecemos Tomé, agente funerário tanatopraxista - profissional a que chamávamos ignorantemente, antes de sabermos a nomenclatura correta, “maqueador de defunto”.


Nos corredores da funerária: um manequim (sim, um 
manequim!) e um caixão. Falando em estética e morte...

Tomé vestia a mesma roupa que os outros agentes funerários, calça, camisa e gravata marrons; isso por si já quebrou a imagem que tínhamos do profissional que lida com cadáveres: pensávamos que nos depararíamos com alguém de aspecto mórbido e roupas brancas e que a conversa se daria em um laboratório com fortes odores de éter ou formol.

A entrevista durou tranquilos 26 minutos. Como os tanatopraxistas da empresa trabalham em regime de plantão - são quatro profissionais que se alternam a cada 12 horas - sabíamos que a qualquer  momento durante a entrevista, existia a possibilidade de Tomé ser requisitado para a realização algum procedimento. Foi o que aconteceu. Finalizamos a entrevista e, antes que o “cliente” chegasse, tiramos algumas fotos do laboratório.


A piada é velha, mas lá vai: fomos bem recebidos, só não pretendemos voltar tão cedo. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Ofícios curiosos - Bastidores 1: Dragões da Independência

Por Nina Ribeiro

O contato com soldados Dragões da Independência que guardam autoridades políticas do executivo em Brasília foi uma experiência - não seria diferente - bastante curiosa. Afinal, o que pode haver de mais curioso em se querer entrevistar um profissional quando ele não pode falar em serviço? Outros trocariam o adjetivo por “trágico” ou “cômico”. Vou manter o “curioso”, por enquanto.

Tudo começou com minha ida à capital federal, Brasília, por conta de um evento de família. Sabendo da distinta função dos Dragões na cidade, resolvi aproveitar a oportunidade para ir à campo em busca de informações. Decidi ir à residência da presidenta Dilma Roussef, o Palácio da Alvorada, no dia 15 de outubro, para tentar conversar com um desses soldados facilmente reconhecidos por suas fardas históricas que remetem ao brado de Independência do Brasil.

Apesar de estar em família quando chegamos - meu avô e esposa conheciam a cidade pela primeira vez, além da companhia de minha tia e da esposa de meu pai -, tentei não me distrair tanto e fui logo à procura do Dragão em posto, que estava numa área protegida de sol e chuva, próxima a um dos portões de entrada e saída de veículos.

Um outro soldado fardado à maneira comum (cor verde musgo para calça, camisa marrom e botas pretas) mantinha-se um pouco ao lado e numa posição externa à área delimitada com cordas para o Dragão da Independência. “Ele deve ser o ‘segurança do segurança’”, pensei, de cara. Parecia um coadjuvante, já que o Dragão, em sua farda e postura, era o centro de qualquer atenção para os visitantes que surgiam a todo momento - aliás, eu já estava me assustando com a quantidade de turistas que aparecia assim, do nada, pra tirar foto ao lado do imóvel Dragão e fazer gracejos, com o avançar do tempo.




Turistas posam para foto com o Dragão da Independência
Foto: Valdir Matos


Descobri, enquanto entrevistava o militar Abraão, que ele era, na verdade, “Relações Públicas”. Assim, ao chegar em casa, sabendo que cada Dragão que guarda a bandeira nacional em frente ao Palácio da Alvorada recebe um “RP”, veio a dúvida: “Como escrever sobre essa profissão, a partir do depoimento de uma pessoa que não executa o que está em pauta?”.


O soldado RP existe naquele espaço para falar pelo Dragão. Isso porque, para os que não sabem - como eu também não sabia -, um dos mandamentos para os Dragões da Independência que ocupam esse posto é não poder falar com as pessoas, permanecer parado feito estátua por duas horas seguidas.



Soldado Abraão (Relações Públicas) fala sobre a função dos Dragões
Foto: Valdir Matos

A apuração foi bastante inquisidora, partindo desse aspecto aparentemente “impeditivo”. Não pelo durante - entrevista com o RP -, mas pelo depois, uma vez tendo percebido como, às vezes, o que se propõe dedutivamente antes da apuração passa por uma reviravolta repentina à medida que se consulta fontes, e aí tem-se de repensar as abordagens e os próprios rituais embutidos na profissão de repórter - confesso, não me informei sobre esse detalhe e saí de casa jurando que falaria com o Dragão em pessoa que estivesse presente.

Isso acabou refletindo no momento de pensar a redação do texto final, mesmo que essa etapa ainda fosse demorar para vir. A todo momento eu me perguntava, antes de chegar em Fortaleza, sobre a legitimidade, a profundidade, e até a fidelidade das palavras ditas pelo soldado RP. Se elas eram o que o Dragão dentro daquele cercado diria se pudesse fazê-lo, durante o ofício, ou mesmo fora dele. Mas, vai ver, a existência de um RP só torna a profissão mais curiosa ainda. Ou tudo mude, se eu disser que esse mesmo RP já foi um dia Dragão da Independência... Veremos.