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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Tudo por elas: as tatuagens

Por Jully Lourenço

Uma agulha? Não. Doze agulhas de uma só vez perfuraram a pele da advogada Lara Feitosa durante uma longa sessão de tatuagem. Na sua pele, pouco a pouco, a frase: "Fé em Deus e serenidade", e o desenho de uma rosa, ganhavam vida (ver foto). E, apesar de ela ter sentido a dor de cada uma dessas agulhas, "desistir" não estava entre as palavras do seu vocabulário. Essa foi uma das entrevistadas para a matéria Tatuagem: para o resta da vida, feita por mim, Fernanda Valéria e Larissa Sousa. O objetivo era simples: descobrir as relações que há entre tatuagem e identidade.

Depois da escolha, o primeiro passo de uma tattoo é
fazer o contorno do desenho. (Foto: Jully Lourenço)
Daí, para construir a narrativa dessa reportagem, visitamos um estúdio de tatuagem para acompanhar todo o processo de quem encara a temida agulha para ter, a qualquer custo, um desenho sobre a pele. E lá, descobrimos que não há regras nem limites para quem deseja fazer uma tattoo. No entanto, Paulo Carvalho, tatuador e desenhista, com quem conversamos, disse que o bom senso é fundamental. Até porque tatuagem não sai com água e sabão.

Mesmo com as orientações de um bom profissional, quem se submete a marcar o corpo também precisa se atentar para um possível arrependimento mais tarde. Por isso, pensar muito bem antes de realizar o serviço é uma das premissas para não ter dor de cabeça com o desenho escolhido, por exemplo. Já que, na maioria das vezes, essa escolha é baseada na vulnerabilidade dos estados emocionais por que passam as pessoas.

Da tinta irreversível ao aprendizado da pauta
Além de significarem a vontade de levar consigo uma lembrança, as tatuagens também exercem um papel de representação daquilo que somos e queremos que os outros nos vejam. Outro ensinamento, após a apuração da matéria, foi de que é preciso ter coragem, atitude, e cuidados, na hora de resolver aderir às tattoos. Uma vez que, mais do que um quesito de beleza, ou não, pois isso é singular a cada um, elas podem definir a nossa essência.

Os olhos de um cego

Por Larissa Sousa

Bem, o que falar da reportagem de acessibilidade? Com certeza a maior lição dessa ida a campo foi me fez crescer pessoalmente. Acho que não só para mim quanto também para a Jully e a Fernanda. Pudemos vivenciar, mesmo que momentaneamente, as dificuldades e algumas vontades dos deficientes visuais. Sem cair no clichê de “eles são como nós”, os cegos (termo politicamente correto para você que tem receio de falar) enxergam mais do que muita gente por aí com olhos “perfeitos”.

Quando você conversa com uma pessoa e descobre um pouco mais do mundo dela, você começa a perceber o quanto a sua mente é pequena e ignorante. Entrevistar a aluna Rebeca Barroso foi inesquecível. Uma menina cega de 22 anos, cursando Letras e bolsista do projeto UFC Inclui, que leva uma vida normal sem reclamar da rotina. Aliás, durante a entrevista, ela sempre nos lembrava que tinha aula às 14 horas e não poderia se atrasar.

Rebeca utilizando o programa Dosvox. (Foto: Larissa Sousa)
Enquanto Rebeca nos mostrava como funcionava os programas adaptados para cego, a moça digitava tão rápido e tinha tanta habilidade com as teclas do computador que, às vezes, esquecíamos que ela era deficiente visual. Fato esse comprovado quando Fernanda perguntou o porquê dela não digitar os textos em casa. Depois de um tempo, voltávamos a nos dar conta que ela só podia digitar graças ao programa Dosvox que, em áudio, traduzia os comandos das teclas.

O senhor Hortêncio Pessoa, de 70 anos, foi outra personagem hilária e que me arrancou muitas gargalhadas. Extrovertido e poeta, Hortêncio escreve poemas e prosas sobre a vida. Tamanha é a sua disposição pelos cursos (locomoção, locução) que faz, que segundo ele, se soubesse que iria beneficiar tanto a sua vida, ele “teria ficado cego há mais tempo” (risos).

Na secretaria de acessibilidade da UFC, o clima é tão gostoso e acolhedor entre bolsistas e participantes do projeto, que fica quase impossível sair de lá sem pelo menos refletir sobre o que faz aquelas pessoas, mesmo sem a visão, enfrentarem qualquer tipo de obstáculo. Confesso que durante as entrevistas, muitos foram os momentos em que me desligava das respostas e me colocava no lugar daquelas pessoas.

Ao sair da sala fui surpreendia pelo escritor Hortêncio: “Larissa, adorei a entrevista, você é um docinho de coco, mas eu não enjoei de você”. Talvez a alegria seja a palavra de ordem naquele lugar, ou talvez seja a esperança. Só posso afirmar que comecei a ver o mundo com outros olhos. Com os olhos de um cego.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mobilização virtual, atitude real

por Beatriz Ribeiro 

Blogs, sites, grupos no Facebook. A busca por fontes iniciou em ambiente virtual. Que movimento, aqui em Fortaleza, mobiliza boa quantidade de pessoas? E, mais importante que isso, quais desses movimentos adquirem força, quantidade e coerência suficientes para sair da caixinha restrita da Internet e acontecer no mundo real?

Dentre alguns bons exemplos, escolhemos tratar sobre o Quem Dera Ser Um Peixe, movimento que contesta a construção do Acquário de Fortaleza, e o Consciência Limpa, que reúne principalmente jovens para mutirão de limpeza de praias e conscientização de frequentadores. Para ajudar a entender melhor essa relação virtual/real em que se engendram os movimentos políticos, conversamos com o professor Jamil Marques, que desenvolve pesquisas acadêmicas acerca do assunto.

Os meninos do Consciência Limpa estavam compenetrados
na ação | Foto: Beatriz Ribeiro
Achamos as fontes, ok. Agora, as entrevistas. Começamos pelo pessoal do Consciência Limpa. Como já tinha data, horário e local de encontro, tudo esquematizadinho no grupo do Facebook para a realização do mutirão consciente, não podíamos perder a oportunidade de falar com organizadores e participantes, além de tirar fotos e fazer vídeos bacanas.

A praia estava bonita, apesar de ter chovido um pouco. O mar, o sol, um bocado de criancinhas empenhadas em ajudar o meio ambiente: não há nada melhor que cobrir uma pauta dessas em pleno domingo, oito da manhã, hein, Camila? Olheiras e bocejos à parte, ao chegar lá, entendemos de onde veio a ideia - e o dinheiro - de distribuir camisetas e bonés para os participantes, anunciado no Facebook. A ação foi patrocinada pela empresa de TV por assinatura Net. Karla Vasconcelos, a gerente de marketing da empresa, estava lá, e falou sobre essa parceria com o projeto.

Lucas, adolescente de 17 anos e líder do movimento, foi muito receptivo e, apesar da pouca idade, mostrou que consciência social e ambiental não tem idade, só é preciso acordar e agir. E foi o que a equipe de reportagem fez. Luva numa mão, saco de lixo na outra, gravador ligado e câmera fotográfica em ação, saímos pela beira da praia catando lixo e executando a matéria.

Olha aí as repórteres se envolvendo com o
movimento! | Foto: Camila Mont'Alverne
Entrar em contato com o Quem Dera Ser um Peixe foi mais rápido. A Camila já tinha o contato de algumas pessoas engajadas e, produzindo uma pauta paralela, todas tivemos a oportunidade de conhecer o movimento antes do fechamento dessa reportagem. Bartira Dias, uma das organizadoras do Quem Dera, nos cedeu entrevista direta, precisa, na qual foi delineado o foco da relação e organização do movimento em âmbito virtual.

Do professor Jamil, conseguimos “capturar” uma entrevista meio apressada, em meio à correria acadêmica, mas suficientemente esclarecedora sobre a questão da disponibilidade e capacidade mobilizadora da informação de teor político na Internet.

Na semana que vem, você vai poder conferir, na íntegra, essa reportagem na Revista Impressões Digitais.